Sobre o Amor Transferencial - Parte 1

Queria começar com uma pergunta que precisei responder dias atrás.

De que amor se trata ?

Após perceber amiúde que as pacientes se enamoravam dos médicos e de como essa situação era difícil de se lidar para eles, Freud escreve para esses médicos de quê se trata esse amor.

Freud nos mostra como esse amor foi tomado e entendido de forma equivocada pelos analistas, fazendo com que os mesmos tivessem grandes dificuldades na condução na análise de seus pacientes.
Um exemplo clássico foi o de Breuer com a sua paciente Ana O., onde ele acaba não conseguindo manejar a transferência amorosa e o tratamento acaba sendo interrompido.

Freud nos fala que esse fenômeno da paciente demandar amor para o analista implica em uma advertência a uma contratransferência, que segundo a psicanalista Elisabeth Roudinesco, é o conjunto de manifestações do inconsciente do analista relacionadas com as da transferência de seus pacientes.

Freud deixa bem claro em seu texto Observações sobre o Amor transferencial, que esse amor da paciente é induzido pela situação analítica e não deve ser atribuído aos encantos da pessoa do analista. Ele chega a dizer que o analista não tem nenhum para se orgulhar de tal conquista.

Esse amor ao analista é uma repetição da forma como esse paciente ama os objetos, ou seja, ele repete frente ao analista seus clichês esteriotípicos. Quando o analista recebe esse amor como para sua pessoa e começa a responder a esse amor, logo podemos considerar que já não existe mais análise aí, e provavelmente esse analista logo se frustrará, pois esse amor na verdade nunca tinha sido destinado a sua pessoa.

Ao procurar uma análise o sujeito acredita que o analista tem um saber que ele não tem sobre suas questões e sintomas, assim passa a transferir um amor a esse sujeito que ''sabe tudo'', mas ao acreditar que ele( paciente) não sabe e que o Outro sabe, ai está que amor é esse, amor a situação analítica e não ao analista.

Guilherme Manhães.

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